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  • Josefina Toniolo

Butiazeiro e Giruá: uma história de ancestralidade, cultura e inovação

Para contar um pouco da história do nosso município – que vai fazer você entender o motivo da folha de butiá ter tanta importância para nós - precisamos relembrar os primeiros habitantes desse território: os povos indígenas.


O Rio Grande do Sul era composto, em sua maioria, por diversos grupos guaranis, originários da Amazônia. Como eram povos semi-nômades, que praticavam horticultura, caça e pesca, locomovendo-se de acordo com a disponibilidade de recursos naturais da região, viviam de forma harmoniosa com a natureza.


A região de Giruá era composta por uma vegetação bastante peculiar composta por campos de barbas-de-bode e grande quantidade de butiazeiros. Os povos indígenas chamavam essas palmeiras de jerivá e faziam uso de seus frutos para alimentação e folhas para os mais diversos fins.


Em 1682, a administração espanhola ordenou que os padres jesuítas atravessassem novamente o Rio Uruguai para fundar novas reduções na região, pois as 18 reduções fundadas anteriormente haviam sido destruídas pelos bandeirantes brasileiros e exploradores portugueses.



Nessas reduções jesuíticas, os povos indígenas foram catequizados e “embranquecidos” em seus costumes, dentre outras questões polêmicas que não iremos abordar nesse texto, mas, em contrapartida, receberam proteção dos constantes ataques dos bandeirantes e portugueses.


A colonização de Giruá por outros povos europeus iniciou em meados de 1800, com a chegada de imigrantes ao Rio Grande do Sul, vindos, principalmente, da Alemanha, Suécia, Letônia, Polônia, Rússia, Suíça e Itália. Como eles encontraram dificuldade em pronunciar J"erivá, acabaram pronunciando Giruá, nome que se mantém até hoje.



Dentre muitas idas e vindas históricas e políticas, a emancipação político-administrativa de Giruá tornou-se realidade em 1955 e impulsionou o progresso e desenvolvimento. Campos foram abertos para a agricultura e pecuária, o que implicou na derrubada de mata nativa e também pés de butiazeiro, que até então eram vistos em abundância por todos os lados.


O uso de praticamente todas as partes do butiazeiro é herança indígena e passou a fazer parte da cultura e do cotidiano do povo “branco”. Era corriqueiro algumas décadas atrás ver o fruto sendo usado para compotas e para fazer cachaça, a folha era utilizada para fabricação de chapéus e as cascas servia como lenha para fornos de cozinha.



Algumas famílias mantiveram essa tradição e em Giruá ela foi retomada e enaltecida com a Festa do Butiá em 2003, pelo Governo Municipal da época. Inclusive, esse movimento de resgate inspirou Maiara e sua família a criarem a Apoena Bolsas, atrelando a tradição da folha do butiá com a contemporaneidade da moda.


Agora, o trabalho segue sendo relação a enaltecer ainda mais essa planta tão versátil, que está em risco de extinção e que tem um valor histórico e sentimental tão grande para tantas pessoas. Nós da Apoena estamos fazendo nossa parte!

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